Hábitos de leitura dos portugueses

Ontem andava a circular no Facebook um vídeo sobre uma mini reportagem do jornal Expresso. Essa reportagem chamou-me bastante a atenção e achei que era digna de partilha (fi-lo de imediato na página do FB) mas também de análise.
A reportagem em questão - cuja duração é de menos de 3 minutos - analisa os hábitos de leitura dos portugueses.
Gostava, de certa forma, que a reportagem fosse um pouco mais extensa e analisásse com maior profundidade o que é que os portugueses lêem em concreto. Penso que seria muito interessante e, se calhar, até poderia ser surpreendente.
Não havendo esse ponto de análise, ficamo-nos com o que temos e que já dá muito que falar :)
Diz que o número de livros editados em Portugal no ano passado foi de 16.598. No entanto, é nos colocada uma questão: 


Será que a compra de livros tem relação directa com a leitura?

Pois vejamos...
O número de pessoas inscritas em bibliotecas tem aumentado, o que poderá ser um sinal de mudança de tempos e de hábitos ou, simplesmente, de que as pessoas vêm o livro como um bem de aquisição desnecessária e preferem requisitá-lo na biblioteca da escola, próxima de casa ou do trabalho.
Confirma-se também que há um decréscimo de vendas em livrarias, à excepção do período que compreende o início das aulas e o Natal. Nesta altura - e quem é ou já foi livreiro sabe que as livrarias vivem para este período específico - os livros são 1) de aquisição obrigatória para leitura na escola ou 2) para oferecer no Natal.
Se calhar muitas pessoas até compram livros com grande regularidade (é o meu malfadado caso) e têm os livros arrumados na estante até terem tempo para os ler ou até terem vontade de ler aquele livro específico - e que, no fim, até pode acabar por nunca ser lido.
Contas feitas, creio que poderemos responder que não, a compra de livros não tem relação directa com a leitura.
Além disso, verificamos também que as percentagens de quem lê/está a ler um livro neste momento, são muito baixas - para não dizer que metem medo!

O aumento de vendas de livros de não-ficção poderá indicar que 1) os portugueses têm mais preguiça em ler e compram livros para puro entretenimento como o exemplo que é dado do Caderno de Piadas Secas; 2) há um aumento significativo na preocupação da população em geral com a saúde e bem-estar, comprovada pela compra de livros de culinária e até alguns catalogados como "auto-ajuda"; 3) compramos livros por obrigatoriedade - livros técnicos, que temos que ler para nos auxiliar nas nossas profissões.
No caso dos livros de ficção, hoje em dia, prevalece o que tem maior implementação de marketing e maior divulgação por parte das editoras. Já não vende mais por ser melhor, vende mais porque aparece num poster no comboio.Não estou a criticar, penso que é muito bem jogado por parte das editoras e aplaudo-as, pois estão a lucrar desta forma. Nos tempos que correm, há que reinventar os métodos e técnicas de venda com este método específico as pessoas que nem gostavam daquele género literário, vão todas a correr comprar aquele livro.

O que é que pode influenciar os nossos hábitos de leitura?

Claramente já vimos que não se deve a falta de tempo... Não conheço números de outros países (fiquei curiosa para conhecer) mas arriscaria dizer que devemos ter a menor percentagem de população idosa leitora.
Se não é por falta de tempo, nem por falta de livros no mercado, o que pode fazer com que as percentagens de população leitora sejam tão baixas?
  • O preço dos livros? Já vimos que há mais pessoas inscritas nas bibliotecas, portanto têm acesso grátis a um grande número de livros. Estão inscritas mas não lêem?
  • O interesse pela leitura? Estão demasiado ocupadas a jogar no telemóvel ou a fazer scroll no facebook para pegar num livro? Não há nenhum livro que lhes capte a atenção de leitura mais do que 3 a 5 vezes por ano? Dificilmente...
  • Não têm tempo para ler, nem que seja no comboio, metro, autocarro...?
Há inúmeras questões que gostava de ver respondidas e acho que seria interessante fazer um estudo mais profundo acerca destes hábitos. Quem sabe se não ajudaria também as editoras a perceber melhor onde investir e como investir para obterem elas próprias maior receita.
Na minha opinião somos um país que dá muito pouco valor à cultura em geral e a literatura, como é óbvio, não é excepção. Os portugueses dizem que gostam muito de ler e que têm muitos livros em casa mas sem qualquer noção de quantificação. Ainda temos um longo caminho a percorrer..

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