Book Review - The Lie Tree


Quando temos um passado como livreiros, há muita coisa que nos vem à memória quando lemos determinados livros.
Enquanto lia A Árvore das Mentiras, lembrava-me daqueles clientes que iam à livraria em busca de um livro para um menino ou uma menina com 6/7 anos que «já sabe tudo» e «já leu tudo». Classificado como YA (juvenil), este livro poderá ser o indicado para esses prodígios da inteligência... Disfarçado com uma classificação juvenil, está um livro bastante complexo e denso, que esconde muito para além da Árvore e que aborda temas polémicos, especialmente para a época retratada. Tomem lá, prodígios. Vejam se este está à vossa altura!


Título: The Lie Tree / A Árvore das Mentiras (Pt)
Autora: Frances Hardinge
Editora: Presença
Ano: 2017
Páginas: 368

Slightly-spoilery review (pt): 

Tinha grandes expectativas quando comecei a ler este livro. Sinceramente, e olhando para trás, não sei muito bem de que é que estava à espera quando li a sinopse pela primeira vez, mas sei, sem qualquer sombra de dúvida, que estava à espera de algo diferente. Apaixonei-me loucamente pela capa assim que vi a edição em inglês e fiquei muitíssimo satisfeita quando vi que a Presença optou por manter a mesma capa. Quando temos um bom produto em mãos, só o vamos piorar ao mexer-lhe.

Comecei por achar A Árvore das Mentiras muito interessante e percebi, de imediato, que era importante para a autora ter um bom build up. Construir a narrativa e a personalidades das personagens, para dar a conhecer o contexto social em que se inserem, os seus pontos fracos e fortes e as circunstâncias e motivos que levaram aquela família a mudar de casa é um ponto fundamental neste livro e, por isso mesmo, constitui a primeira metade do romance. De início, a narrativa tem um ritmo bem marcado, é pouco descritiva e desperta o interesse do leitor em conhecer as personagens e os seus segredos. No entanto, só a meio do livro é que temos o acontecimento-chave desta história, o que acaba por fazer com que o início, tão bem construído, se transforme em algo que se torna aborrecido e que avança a um ritmo demasiado lento. Contudo, este desenvolvimento permite-nos conhecer melhor as personagens e acaba por fazer sentido para podermos perceber não só o conceito da Árvore das Mentiras, mas também a postura do Reverendo perante as pessoas e as diversas situações em que se vê envolvido ao longo da história.

Estamos perante um romance onde o histórico se mistura com a fantasia, é polvilhado com suspense e tem um cheirinho a policial. Mas, mais do que um livro de fantasia ou um romance histórico, é um livro feminista, que exalta a inteligência da mulher numa época em que esta era menosprezada e tratada como um ser inferior e incapaz de contribuir intelectualmente para a sociedade. No fim das contas, são as mulheres que salvam o dia nesta história.
Aborda temas polémicos para a sociedade da época no que diz respeito à posição da mulher, mas também de temas condenáveis como o suicídio e a homossexualidade.
Está muito bem construído mas, como o tema central não é propriamente a Árvore das Mentiras, apenas nos relacionamos com o objecto que dá o título ao livro em cerca de 1/3 da narrativa, para que percebamos as consequências das mentiras e de como podem afectar a nossa vida; de como podemos criar aliados imprevisíveis e de como as aparências podem iludir. 

No geral, gostei da história mas, para mim, ler este livro foi como comer o fruto da Árvore. Foi como se estivesse, lentamente, a cair num sono onde as verdades me eram transmitidas através de imagens fantasiosas.


Recomendo este livro especialmente a quem gosta de romances históricos (normalmente, não é o meu caso) e que procure algo um bocadinho mais arrojado dentro do género. Não podem, de forma alguma, ter problemas com o género fantástico, senão vão deixá-lo para trás quando estiverem a meio.

Classificação no Goodreads: ✰✰✰

Comentários

  1. Hum, não sou grande fã de romances históricos.

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    1. Também não é o meu género preferido, nem de perto nem de longe. Demoro sempre imenso tempo a lê-los... Este livro é, de certa forma, uma mistura de géneros mas é preciso uma certa disposição para o ler :)

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