Quando nos descobrimos nos livros

Depois das Barbies vêm os rapazes, as saídas à noite, o divertimento puro e os livros "a sério" só por obrigatoriedade escolar. Hoje olho para trás e tenho pena. Tenho saudades de algumas coisas mas, ao mesmo tempo, penso que poderia ter conjugado tudo. É uma ferramenta tão importante na nossa vida e ganhamos tanto ao ler, que acho que há momentos na nossa adolescência em que estamos a desperdiçar tempo a fazer outras coisas quando nos poderíamos estar a enriquecer.
E é por tudo isso que sou uma leitora tardia mas, graças à escola e ao PNL e até mesmo aos exames nacionais - aquele bicho contra o qual passávamos a vida a manifestar-nos, fechando a escola a cadeado - chegaram-me alguns dos livros e dos autores que mais adoro.
No alto dos meus 16 anos, no 12º ano, depois de muito ler O Clube das Amigas, li o meu primeiro livro "a sério" - O Memorial do Convento, de José Saramago.


Talvez seja uma passagem gigante e extremamente drástica, não tenho dúvidas. Mas valeu a pena cada segundo que passei a ler aquele livro. É um dos meus livros preferidos de sempre e José Saramago é um dos meus autores preferidos também.
Se hoje leio imenso e adoro ler, posso agradecer à obra deste senhor. É também graças a livros como este que nasceu o meu gosto pelo saber escrever correctamente. Como muitos saberão, dada a sua complexidade, este livro é muitas vezes visto como um bicho de sete cabeças. Muitos não o conseguem ler e descartam-no por causa da falta de pontuação - para mim, é precisamente aí que reside parte da magia deste livro e é tão fácil pontuá-lo e apreciá-lo na sua plenitude.

Saramago, Pessoa, Shakespeare...
Considero que os meus 16/17 anos foram os mais importantes na minha vida enquanto leitora e me definiram como amante de livros. Definiram que, dali para a frente, nunca mais os iria largar 😊

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