Remédios Literários Para 2018



Na sequência da Conferência da passada Quinta-Feira no Museu da Farmácia, decidi fazer um rescaldo para os que não tiveram oportunidade de estar presentes.
A Conferência foi extremamente interessante. Foi uma excelente iniciativa que contou com a presença de Manuel Alberto Valente (Porto Editora), Maria do Rosário Pedreira (Leya), Diogo Madre Deus (Cavalo de Ferro/Elsinor), Francisco Vale (Relógio d`Água) e Bárbara Bulhosa (Tinta da China).

A Conferência deu início com a apresentação do painel de convidados e do seu percurso profissional, daquilo que os motivou e levou a escolher a profissão de editor. Foi muito engraçado ver que, no fundo, existe um único denominador comum - a paixão pelos livros e o ser um ávido leitor, como não poderia deixar de ser, assim como que quem decide criar uma editora independente, edita livros de acordo com o seu interesse e não propriamente a pensar num público específico. A escolha parte do princípio de que podem existir pessoas que tenham o mesmo gosto que eles e ainda não o saibam porque não existe esse tipo de oferta.

Foi mostrado o vídeo da reportagem Expresso que foi também analisado aqui no Blog. Foi muito interessante ver como as opiniões se dividem. Bárbara Bulhosa, Francisco Vale e Manuel Alberto Valente são bastante optimistas em relação a este tema e consideram que, se estamos em níveis tão baixos, é inevitável subi-los dentro dos próximos anos.
No geral, consideram que já não haverão leitores como no passado. Consideram que haverão mais leitores, mas a ler menos livros. Acreditam também que os dispositivos móveis não têm necessariamente que ser vistos como algo nefasto porque, pelo menos, as pessoas estão a ler (muito embora não sejam livros).
Já Diogo Madre Deus e Maria do Rosário Pedreira têm uma visão muito diferente em relação a este tema e consideram que as novas tecnologias vieram roubar leitores, que as pessoas estão demasiado "ocupadas" para ler livros, que não são capazes de fazer instrospecções e, como tal, não são capazes de estar sozinhas com um livro. Revelam que, com a crise económica, deixaram de ser vendidos livros de má qualidade e aumentou a venda de livros que é apenas lida por uma certa elite. Consideram que os números apresentados no vídeo são preocupantes, pois nunca houve tanta oferta, nem com tanta qualidade como existe hoje em dia.

No geral, os editores pensam que o que pode mudar a  posição dos livros e da quantidade de leitores em Portugal é, essencialmente, a legislação. Que devem ser feitas alterações legislativas para editoras e livrarias independentes, que devem ter protecção fiscal. Falam também no investimento em bibliotecas e no colocar a cultura como tema da ordem do dia no Parlamento, bem como na revisão do PNL, que não é, de todo, adequado à idade e competências dos alunos.

Para finalizar, foram apresentados os "remédios" para estes males, dos quais destaco alguns:

Reaccionário com Dois Cês, de Ricardo Araújo Pereira, Tinta da China

Os Prémios, de Julio Cortázar, Cavalo de Ferro (1º semestre de 2018)

Como Ser Uma e Outra, de Ali Smith, Elsinor

Os Romanov (1613-1825) Volume 1 - Ascensão, de Simon Sebag Montefiore, Presença

Homo Deus - História Breve do Amanhã, de Yuval Noah Harari, Elsinor

Vida e Obra de Fernando Pessoa, de João Gaspar Simões, D. Quixote

Os Loucos da Rua Mazur, de João Pinto Coelho, Leya (21/11/2017)

Uma Vida Muito Boa - Os Benefícios do Fracasso e a Importância da Imaginação, de J. K. Rowling, Presença (Dez. 2017)

O Livro do Pó - La Belle Sauvage vol. 1, de Philip Pullman (Jan. 2018)

Os Despojos do Dia, de Kazuo Ishiguro, Gradiva

Ficção Curta Completa - Vol. 1, de H. G. Wells, E-Primatur

Isso Não Pode Acontecer Aqui, de Sinclair Lewis, D. Quixote

Os Meninos de Ouro, de Agustina Bessa-Luís, Relógio d'Água 

(sem data prevista de edição)


Poesia, de Mário Cesariny, Assírio & Alvim

A Vítima Tem Sempre Razão?. de Francisco Bosco, Tinta da China (sem data prevista de edição)


Eliete, de Dulce Maria Cardoso, Tinta da China (sem data prevista de edição)



Vimos finalmente um ano pleno de iniciativas literárias. Espero que seja um plano para manter em 2018, por parte das editoras. É já um avanço de que Portugal precisa. Façam-se mais conferências, eventos, festivais e feiras!


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